sexta-feira, 5 de março de 2021

O que é BPM, BPMN e BPMS

 

O que é BPM, BPMN e BPMS


Hoje em dia vivemos na era das siglas, e todas as áreas tem suas siglas peculiares. Na gestão de negócios, temos algumas siglas novas, que surgiram nos últimos anos, como o BPM. Com certa frequência, vejo profissionais com duvidas sobre o real conceito do que é BPM, e também com dúvidas sobre a diferença entre BPM, BPMN e BPMS. Para ajudar a esclarecer estas dúvidas, faço abaixo um resumo destes três termos (BPM, BPMN, BPMS), com suas definições extraídas do BPM CBOK 3.0.

BPM – Business Process Management (Gerenciamento de Processos de Negócio)

Representa uma nova forma de visualizar as operações de negócio que vai além das estruturas funcionais tradicionais. Essa visão compreende todo o trabalho executado para entregar o produto ou serviço do processo, independente de quais áreas funcionais ou localizações estejam envolvidas.

BPM é uma nova forma de articular e aplicar de modo integrado abordagens, metodologias, estruturas de trabalho, práticas, técnicas e ferramentas para processos que muitas vezes são aplicadas de maneira isolada. BPM é uma visão holística de organizar, estruturar e conduzir o negócio. BPM também reconhece o papel-chave de pessoas com habilidades e motivação, bem como o uso correto de tecnologias para entregar melhores produtos e serviços para os clientes.

BPM é uma disciplina gerencial que presume que os objetivos organizacionais podem ser alcançados com mais êxito por meio do gerenciamento de processos. Compreende um corpo de conhecimento composto por princípios e melhores práticas para orientar uma organização, e não uma metodologia prescrita ou um kit de ferramentas. Quando implementado com sucesso, BPM se integra e transforma a cultura da organização, moldando a forma como o negócio opera. BPM pode ser aplicado a organizações de qualquer porte, com ou sem fins lucrativos, públicas ou privadas, com o objetivo de direcionar os recursos organizacionais. O gerenciamento de processos de negócio requer a participação de toda a organização, desde a liderança executiva até o nível operacional e ao longo das funções e papéis. 

A premissa de BPM é que os objetivos organizacionais podem ser alcançados por meio do gerenciamento centrado em processos de negócio.

BPM é uma jornada, não um destino. A adoção de BPM reforça a vantagem competitiva das organizações bem posicionadas. Organizações centradas em BPM desfrutam de maior alinhamento entre a estratégia e a operação, maior resiliência operacional, conformidade menos intrusiva e, certamente, aumento de produtividade.

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BPMN – Business Process Model and Notation

É um padrão criado pela Business Process Management Initiative (BPMI), incorporado ao Object Management Group (OMG), grupo que estabelece padrões para sistemas de informação. A aceitação do BPMN tem crescido sob várias perspectivas com sua inclusão nas principais ferramentas de modelagem. Essa notação apresenta um conjunto robusto de símbolos para modelagem de diferentes aspectos de processos de negócio. Como na maioria das notações, os símbolos descrevem relacionamentos claramente definidos, tais como fluxo de atividades e ordem de precedência. 

Para maiores informações também é possivel consultar o Object Management Group: http://www.bpmn.org

Fluxo em alto nível com BPMN
Exemplo de Fluxo em alto nível com BPMN
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Fluxo em baixo nível com raias em BPMN
Exemplo de Fluxo em baixo nível com raias em BPMN


BPMS – Business Process Management Suite

Fornece um novo tipo de ambiente de negócio que integra negócio e tecnologia da informação. O termo "ambiente" é empregado para descrever a operação resultante da utilização de BPMS, pois gera aplicações e fornecem o suporte às operações de negócio na sua execução. Por meio de modelos de negócio, o contexto para a operação em BPMS é definido como uma estrutura passo a passo.

Aplicações podem ser geradas e testadas juntamente com as interfaces para sistemas legados e outras aplicações. Em seguida, colocadas em produção para que suportem as operações de negócio conforme estrutura apresentada no mapeamento do fluxo e regras que definem sua lógica.

Os dados e a interação de pessoas com a aplicação são definidos por formulários e esquemas de banco de dados no BPMS, e o uso de dados direcionado por regras de negócio. Para fornecer dados necessários para prover suporte a regras, normalmente é necessário definir e construir interfaces para as aplicações em uso e suas respetivas bases de dados. Em organizações que empregam SOA, tais interfaces podem ser simplificadas com a utilização de adaptadores que ajudam a definir a integração e os sistemas que irão fornecer a troca de dados entre as aplicações. Isso forma um ambiente completo de operação, onde a operação de negócio é realizada dentro do ambiente BPMS. No entanto, sem os módulos necessários de um BPMS completo, o ambiente não será capaz de gerar aplicações e as vantagens de flexibilidade e velocidade de mudança não estarão disponíveis. 

BPMS tem suas raízes em ferramentas de workflow que evoluíram ao longo dos anos. Nessa evolução, tornaram-se mais capazes de refletir a operação de negócio e, com a adição de motores de regras e geradores de aplicação no início dos anos 2000, começaram a trilhar um caminho diferente – evoluíram para ambientes de operação com aplicações geradas e executadas dentro dos BPMS.


Camada SOA para integrar funcionalidades legadas
Camada SOA para integrar funcionalidades legadas

​Um BPMS proporciona um novo nível de automação por meio da criação e execução de aplicações que combinam lógica mostrada nos modelos de negócio com regras e dados conectados às atividades. Essa capacidade de definir e gerar aplicações de negócio a partir de modelos e regras permite que o BPMS ofereça um gerenciamento avançado de fluxo de trabalho e reportes da situação do fluxo melhorado.

Isso direciona o BPMS a um papel de controle na orquestração de qualquer processo. Como tal, pode ser responsável por conectar processamento de fluxos de trabalho a sistemas legados usando o que for necessário (telas/ funcionalidades), controlar dados usados dentro do trabalho que está sendo realizado (seguindo tanto a abordagem tradicional como SOA) e, em seguida, processar e entregar dados para serem armazenados. Embora um ambiente de operações baseado em BPMS ofereça vantagens, três principais benefícios se destacam:
  • Velocidade na modelagem e geração da aplicação
  • Qualidade por meio da capacidade de exteriorizar regras e testá-las individualmente e em grupos
  • Flexibilidade através de interação rápida

Alteração do Regulamento n.º 852/2004

Alteração do Regulamento n.º 852/2004


  • Foi publicado no Jornal Oficial da União Europeia, o Regulamento (UE) 2021/382 DA COMISSÃO de 03/03/2021 que altera os anexos do Regulamento (CE) n.o 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo à higiene dos géneros alimentícios no que se refere à gestão de alergénios alimentares, à redistribuição dos alimentos e à cultura de segurança dos alimento.

A destacar:

  • Alergénios:
  1. Adoção do Código de boas práticas para gestão de alergénios em operadores do setor alimentar do Codex Alimentarius (CXC 80-2020)
  2. Alteração do Anexo I – regras para a utilização equipamentos, veículos e contentores utilizados na produção primária
  3. Alteração do Anexo II – gestão de alergénios aplicada em todas as fases de produção de alimentos
  • Redução de desperdício – regras para redistribuição de alimentos para doação
  • Cultura de segurança alimentar – o que é esperado dos operadores, em especialmente da Liderança.

link de acesso:

https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=OJ:L:2021:074:FULL&from=PT

quinta-feira, 4 de março de 2021

Qualidade 4.0 – Como será a Qualidade no futuro?


A Qualidade 4.0 é um termo pouco difundido, trata-se da revolução 4.0 na área da Qualidade. Essa revolução compreende tanto outros temas convergentes com a qualidade como tecnologias para apoiar o setor


A revolução 4.0 da área da Qualidade utiliza diversos temas de gestão alinhados com qualidade. Por exemplo, compliance, inovação, conhecimento, etc. Alguns exemplos desse alinhamento.

 

Contexto da Organização e Partes Interessadas

Na Qualidade 4.0 deve-se abordar e identificar o contexto da organização em diversos aspetos, deve avaliar as questões internas externas por diversos ângulos. Na qualidade tradicional avaliar-se o contexto da organização somente pensando na satisfação do cliente.

Na qualidade 4.0 pode utilizar mais de 80 normas de sistemas de gestão para avaliar o contexto da organização. Vamos imaginar referências como Qualidade (ISO 9001), Inovação (ISO 56002), Compliance (ISO 37301) e Conhecimento (ISO 30401).

Na avaliação de contexto da organização é preciso avaliar as questões internas e externas da organização nesses 4 diferentes ângulos, haverá entradas envolvidas nesses quatro temas de acordo com essas normas e consequentemente as ações envolvidas.

Para partes interessadas não é diferente nesse exemplo, seria necessário avaliar as partes interessadas nos mesmos temas, identificar suas necessidades e expectativas e traçar ações que envolvem estas.

 Contexto das Tecnologias

Seguindo já referências consolidadas sobre indústria 4.0, é necessário avaliar 5 pilares de tecnologias: Internet das Coisas, Big Data, Inteligência Artificial, Segurança da Informação e Computação em Nuvem.

Para aplicação da Qualidade 4.0 um estudo de aplicabilidade sobre os 5 pilares de tecnologia é necessário dentro do sistema de gestão da organização.


Uma avaliação nesse caso pode ser feita dentro do mapeamento e avaliação de processos da organização. A organização deve avaliar quais desses 5 pilares podem ser aplicáveis para cada processo, independente se pode ou irá implementar essas tecnologias (isso fica para a a fase de operação).

Os 5 pilares se forem aplicáveis para algum processo, deve trazer rentabilidade, produtividade ou redução de custos, só assim este será aplicável, caso contrário, não deve ser considerado.

 

Como implementar a Qualidade 4.0?

A organização deve pensar 4.0, ou seja, pensar nas suas necessidades presentes e futuras e ir acoplando temas sobre gestão e tecnologia.

Muitas normas podem ajudar nesse processo, como é o caso da ISO 56002 – Sistemas de Gestão da Inovação e a ISO 30401 – Sistemas de Gestão do Conhecimento. Mas somente essas normas não são suficientes, é necessário avaliar quais os temas que circundam o dia a dia da organização, um exemplo na tabela a seguir:

Esses são apenas exemplos, com a ferramenta robusta de avaliação do contexto da organização e contexto das tecnologias a empresa pode buscar alinhamento na indústria 4.0 e assim iniciar o processo da Qualidade 4.0. A cultura organização irá tomar outra forma, os líderes e liderados irão pensar 4.0, a Qualidade será 4.0.

Transformação digital- Escritório de processos- Gestão por processos

 

Muitos vêm adotando a abordagem de que a transformação digital é praticamente contrária à gestão por processos e outras disciplinas, práticas e conceitos mais tradicionais. O que está completamente errado!

A Transformação Digital e todo esse contexto que temos vivido desde a indústria 4.0 e até ao nosso atual momento mudam tudo, mas, na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma (já diria lavoisier)!

A transformação tem sido quase sinônimo de agilização, porém a agilidade, em sua raiz, não era sinônimo de “coragem” e muito menos de inconsequência! E sim de anti fragilidade: resiliência, adaptabilidade e auto deteção e correção de erros!

Devemos trazer de volta, abordagens que possam ajudar as organizações a tornarem-se anti frágeis. Adaptáveis diante de cenários tão incertos, capazes de tornarem-se mais fortes a cada “teste de hipótese” e lição aprendida.

Sempre que perguntam qual o primeiro passo para iniciar uma cultura de  gestão por processos, devesse responder sem qualquer margem para dúvidas: estabelecer um escritório de processos!

Pode iniciar projetos de automação de processos com bpms, rpa ou outras ferramentas. Pode iniciar projetos de melhoria pontual ou criar ciclos de melhoria continua. Pode até mesmo promover uma primeira onda de mapeamento de processos. Mas sem um escritório, como promover a cultura, gerar "engajamento" e manter a disciplina?

E é por isso que se deve estabelecer o Escritório de Processos

O escritório de processos é um dos elementos mais representativos da gestão por processos. Mas, diante das mudanças trazidas pela Industria 4.0, transformação digital e exponencializadas pela quarentena imposta pela pandemia da covid 19, será que poderá continuar com a mesma atuação?


O escritório vem sendo tradicionalmente responsabilizado pela:

- Padronização de processos
- Deteção de não conformidades
- Centralização do conhecimento
- Monitorização e direcionamento da execução de processos
- Continuidade do negócio baseada na melhoria incremental (planeamento, execução, verificação e ação – pdca)

Entretanto, será a hora de os “escritórios de processos” passarem a atuar justamente na:

- Dinamização dos processos, anti fragilidade (capacidade de adaptar sem se quebrar)
- Condução da experimentação e consolidação de lições aprendidas
- Potencialização do conhecimento descentralizado
- Facilitação da excelência operacional e estratégica
- Continuidade do negócio baseado na resposta imediata às necessidades do mercado e sociedade

Diante do cenário de caos, centralizar, comandar e controlar parece cada vez mais ineficiente e ineficaz. 

segunda-feira, 1 de março de 2021

Acreditação, Certificação ISO, para quê?

 

A certificação ISO existe para atestar a conformidade de um sistema de gestão contra uma norma de referência. Porém, é importante entender os reais motivos e o que há por de trás das certificações ISO.

No final da década de 80 iniciou-se o processo de certificação de normas de sistemas de gestão, com a mais conhecida de todas as normas, a ISO 9001, de lá pra cá muita coisa mudou e muitas outras certificações foram criadas, porém o objetivo é o mesmo, atestar a conformidade contra a referência.

No final da década de 80 grandes corporações no mundo inteiro procuraram a certificação e isso continua até hoje, passando por empresas de grande, médio e pequeno porte, seja da área de serviços ou manufatura.

O que é a certificação?

A definição sobre certificação ISO, de uma forma simples é “Atestado de credibilidade sob um tema específico, por necessidade requerida, para demonstrar a uma ou mais partes interessadas”.

Uma certificação ISO é um atestado de credibilidade seja sobre qualidade, meio ambiente, compliance ou qualquer outro tema.

Então, independente da motivação para ter ou não uma certificação ISO, o certificado é um atestado de credibilidade de uma avaliação de conformidade daquele tema. Essa credibilidade é preservada por todo um sistema de conformidade daquele processo.

Sistema de conformidade

Basicamente o sistema de conformidade que gera a credibilidade num certificado passa por regulamentos de fóruns internacionais, regulamentação de organismos de acreditação, e toda gestão de imparcialidade de um organismo de certificação.

Mas afinal, certificação ISO, para quê?

Defina a real necessidade da certificação. 

O triângulo de certificação ISO.

Para que essa certificação seja sustentada primeiro a organização deve querer um atestado de credibilidade. Um ponto importante deve ser uma necessidade específica também, como solicitação do cliente, melhoria de processos, marketing, exportação, reconhecimento, etc.

Para fechar o triângulo da certificação, como mencionado em alguns motivos de necessidade, uma parte interessada que solicita a necessidade também é necessária, seja a própria alta direção, cliente, sociedade, colaboradores, ou em alguns casos até órgãos reguladores.

Independente da parte interessada, da necessidade e também da vontade em atestar credibilidade de um tema, a certificação independente do tema, se implementada corretamente vai mostrar à organização a melhoria de processos como ferramenta de gestão de negócios, e essa vai perdurar justamente por isso.

Certificação ISO para quê? Para ajudar organizações a se perpetuarem.


De forma semelhante, um raciocínio semelhante se poderá ter quando se substitui o termo acima (certificação) por acreditação. Ou seja porquê a acreditação?

O que é BPM, BPMN e BPMS

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