quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A importância da vigilância tecnológica na gestão estratégica de inovação



Promover a inovação e definir uma estratégia nesta área é cada vez mais assumido como central pelas organizações, mas neste domínio a vigilância tecnológica revela-se essencial.

A inovação é, cada vez mais, anunciada por gestores de empresas, consultores, académicos e outros especialistas, como uma das saídas para a crise e como um importante reforço dos fatores de competitividade das organizações. No entanto, são poucas as organizações que desenvolvem práticas consistentes e regulares de inovação.

Em alguns casos, há uma boa gestão de atividades de I&D (investigação e desenvolvimento), mas ainda sem a devida coordenação e alinhamento com a estratégia de negócio e com a geração de valor, por exemplo, ao nível do lançamento de novos produtos ou serviços. São as organizações com uma maior maturidade, em termos de boas práticas de gestão, que reconhecem a necessidade de conceber e implementar sistemas de apoio à inovação com carácter estratégico e não apenas com objetivos incrementais. Isto porque não é condição suficiente para o sucesso, ter apenas capacidade para gerar boas ideias (sejam elas do seu ecossistema interno ou externo).

O mais crítico é explorá-las com sucesso. De facto, do ranking da Booz das 1000 maiores empresas inovadoras, apenas 36% afirmam que os seus processos são bastante eficazes para converter ideias em projetos de desenvolvimento de produto. É fundamentalmente por isso que as organizações necessitam de sistemas de apoio à inovação, de carácter estratégico, robustos e dinâmicos, e de envolver os seus colaboradores na sua conceção, implementação e revisão.

Quando as organizações adotam programas de gestão estratégica de investigação, desenvolvimento e inovação (IDI), definem claramente qual é o seu desígnio, estabelecem uma estratégia clara e participativa e um plano detalhado para a sua execução e avaliação dos resultados. Uma cultura organizacional que promova a criatividade e a inovação como uma atividade de gestão, planeada e alinhada com os restantes processos de negócio, contribui de facto para a implementação de uma estratégia de inovação sustentável e com elevado retorno.

Umas das capacidades mais importantes para assegurar a consistência, atualização e validade de um programa deste tipo é a vigilância da interface tecnológica. Trata-se de uma capacidade particularmente crítica para as organizações que adotam estratégias de inovação baseadas no desenvolvimento de novos produtos e serviços, por exemplo de procura de necessidades ou de primazia tecnológica. Tendo em conta que a estratégia é bastante influenciada pela monitorização e análise do ambiente externo, os aspetos do desenvolvimento da ciência, dos avanços tecnológicos e das patentes são cada vez mais determinantes para a sua correta definição.

Esta capacidade de vigilância tecnológica é desenvolvida ao longo de todas as fases do ciclo de inovação, desde a fase da geração de ideias até à seleção de projetos, desenvolvimento produtos/serviços e comercialização. Assim, os ativos intangíveis da empresa, nomeadamente os de carácter tecnológico devem, de forma sistemática ser analisados e monitorizados através de uma vigilância constante. As tecnologias não devem ser observadas, apenas quanto às suas características técnicas, mas também ao seu enquadramento e posicionamento face à concorrência.

A vigilância tecnológica surge, neste contexto, como uma ferramenta de gestão estratégica de inovação que permite, através de pesquisa e análise sistemáticas, decidir a melhor estratégia de negócio, com base num conhecimento prévio dos produtos e tecnologias desenvolvidos pela concorrência, que possam criar oportunidades, ou ameaças, para a organização.

A vigilância é encarada como uma forma organizada, seletiva e permanente de captar informação tecnológica e/ou de mercado. Deve ser analisada e convertida em conhecimento para diminuir o risco na tomada de decisão ou antecipar possíveis mudanças. Quando a vigilância é centrada nos avanços do estado da técnica e, em particular, da tecnologia face às ameaças e oportunidades que gera, pode ser chamada de vigilância tecnológica, a mais utilizada nas empresas que têm como principal "asset" tecnologias protegidas por patente.

As empresas têm ao seu dispor uma ferramenta que potencia um conhecimento alargado sobre o mercado, permitindo antecipar a concorrência e direcionar as atividades de investigação e desenvolvimento para produtos e/ou processos inovadores. Para que a atividade de vigilância tecnológica seja eficaz, são utilizadas bases de dados específicas, e a informação analisada é a seguinte:

- A identificação de documentos de base tecnológica existentes, a nível global, nas áreas consideradas;

- A seleção de documentos pertinentes através de cruzamentos conceptuais sucessivos, buscando as relações entre eles;

- A análise técnica dos mesmos;

- Uma identificação de concorrentes e/ou potenciais parceiros;

- A caracterização de áreas tecnológicas ou tecnologias específicas.

Com base nos resultados de um estudo da Thomson Reuters de Outubro de 2013, "Top 100 Global Innovators", as indústrias mais inovadoras continuam a ser as dos semicondutores e componentes eletrónicos, da informática (hardware), do automóvel e das telecomunicações. Em termos de origem geográfica, a maior parte das organizações representativas destas indústrias são dos Estados Unidos, seguidas pelo Japão e pela Europa (França com maior expressão). São estas indústrias mais inovadoras que investem mais no desenvolvimento de capacidades de vigilância tecnológica.

Em conclusão, para implementar um sistema de apoio à inovação é importante assegurar a existência de um sistema de vigilância tecnológica e uma estratégia de propriedade intelectual, capaz de, sem ambiguidades, definir e clarificar as fronteiras dos ativos intelectuais a transacionar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

UNE 166002:2006

    


A norma UNE 166002 contém requisitos e diretrizes práticas para a formulação e desenvolvimento de políticas de I+D+I, para o estabelecimento de objetivos de acordo com as atividades, produtos e serviços específicos de cada organização, para a identificação de tecnologias novas ou emergentes, tecnologias não aplicadas ao setor em causa, cuja assimilação e posterior transferência servirão de base para gerar projetos, aprimorar os seus produtos, processos ou serviços, e melhorar sua competitividade.

A implementação desta norma sobre Gestão de I+D+I ajuda a definir e otimizar o processo de gestão da inovação, bem como facilitar a integração da gestão da inovação com o resto do sistema de gestão da organização de forma eficaz. Fornece diretrizes que facilitam a gestão de atividades de I+D+I e, sendo certificável, contribui para o reconhecimento da organização no mercado como uma organização inovadora.

Devemos lembrar que os projetos de I+D+I não deixam de ser "produtos" que serão colocados no mercado, seja por pedido de um cliente ou por própria iniciativa e, como tal, tem que existir a preocupação tanto com a sua "forma" como com o seu "conteúdo". A implementação da norma nos ajudará, em grande medida, o "produto" a atingir os seus objetivos otimizados no tempo, custo e recursos, com um formulário e conteúdo adequado.

Os principais benefícios da implementação e posterior certificação de acordo com este referencial são:


Proporcionar diretrizes para organizar, gerir e sistematizar eficazmente as 

atividades de I+D+I, e integrá-las na gestão da organização;

 

Assegurar que as atividades suscetíveis de gerar tecnologias próprias e/ou 

patentes ou modelos úteis não são perdidas;

 

Ter um processo de reconhecimento das tecnologias emergentes ou novas 

tecnologias não aplicadas no setor em causa;

 

Potenciar o I+D+I como fator diferencial de competitividade;

 

Ajudar a planificar, organizar e controlar as áreas de I+D+I, incorporando 

indicadores para otimizar e avaliar a gestão;

 

Garantir a correta aplicação dos créditos ficais/ financiamentos para 

atividades de I+D+;

 

Demonstrar a transparência das atividades de I+D+I;


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