sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Utilize o PDCA como ferramenta de Inovação!

 

O mundo é movido à inovação! Todo dia, algo novo, seja um produto ou serviço, bate às nossas portas! É impressionante como algo que nunca imaginamos que existiria ou que nos seria útil, passa a ser essencial! 

Quando pensamos em inovação, quase que imediatamente, nos vem à cabeça a palavra criatividade! E para sermos criativos, precisamos ter boas ideias, de preferência grandiosas, fantásticas, inéditas e que gerem mudanças bruscas no modelo atual que estamos tão acostumados.

E na era Google, para se ter boas ideias é necessário ter mesas de ping-pong, expedientes sem horário fixo de trabalho, lanches especiais, almofadas espalhadas pelo escritório, cochilos no meio do dia e muito mais. Não que eu seja contra isto ou mesmo que não acredite no modelo do Google e das empresas do Vale do Silício, mas será que todas as empresas e pessoas que são altamente criativas e inovadoras são sempre assim e fazem tudo isto?

Para responder a esta pergunta, gostaria de recordar um método simples e eficiente, o PDCA. O PDCA é uma metodologia de solução de problemas, sejam eles da nossa vida cotidiana ou das organizações em que trabalhamos, que nos ajuda a resolvê-los de forma eficiente e definitiva. O PDCA consiste basicamente em INOVAR!

Ao elencarmos um problema, reunirmos um grupo de trabalho, estabelecermos uma meta e procurarmos uma solução, o que estamos fazendo é nada mais nada menos que inovar. Ou seja, colocando a nossa criatividade para trabalhar de uma forma clara e estruturada, focada no problema e na sua solução, a partir de indicadores confiáveis e mensuráveis. Com a ferramenta, somos capazes de vencer a barreira da criatividade e passamos a inovar, uma vez que a solução é efetivamente implementada.

E não são só problemas que podem ser tratados por meio do PDCA. Ele pode ser utilizado para criar uma grande inovação, para isso basta inverter a lógica do método. Ao invés de estabelecer como meta a necessidade de reduzir o desperdício, por exemplo, basta trabalhar para criar uma nova forma de aumentar o aproveitamento dos entradas. Assim, com certeza, os olhos se voltarão a criar um novo processo, método ou procedimento que será altamente inovador. Afinal, a melhoria contínua é inovação!

De tudo isto, a maior vantagem do PDCA para gerar inovação não é estabelecer um projeto, uma meta ou trabalhar focado no problema. A maior vantagem é criar a oportunidade para o trabalho colaborativo. É fazer com que as partes envolvidas no problema e na solução dele sentem-se e trabalhem juntas. É fazer com que uns ouçam as ideias dos outros, que voltem a pensar “fora de suas caixas” e revejam seus processos e seus conceitos. É acabar com os velhos paradigmas!

Uma solução construída a várias mãos é, em geral, muito mais eficiente, rápida e barata do que aquela ideia fantástica que tivemos sozinhos e ficamos amadurecendo por longos meses nas nossas cabeças. Discutir, analisar e reavaliar em conjunto é muito melhor do que sozinho, e acompanhado de uma metodologia estruturada como o PDCA, só pode trazer resultados ainda maiores e melhores.

A associação PDCA e trabalho colaborativo rende profundas transformações nas pessoas, nos grupos de trabalho e nas organizações. É a reformulação de um conceito construído de que para se ter criatividade e inovação, não se pode ter rotina, métodos ou modelos. Efetivamente, o sucesso não está nos métodos, modelos ou na rotina flexível. Está nas pessoas e no trabalho colaborativo! Métodos são meros auxiliares! Pessoas transformam, métodos não!

Empresas inovadoras investem na sua força de trabalho, treinando-a e envolvendo-a em trabalhos colaborativos, como grupos de melhoria contínua, CCQ (Círculos de Controle de Qualidade), projetos Seis Sigma, etc. E garantem que todos trabalhem juntos, em equipe.

Tais organizações possuem métodos (e o PDCA é um dos melhores!) que auxiliam para que a criatividade da força de trabalho se transforme em inovação. E a inovação, por consequência, em resultados e performance. Por fim, é este processo que faz com que a empresa se diferencie no mercado. Que tal começar a inovar na sua organização?

Ahhh, e vale a reflexão: será que o Google é a empresa mais inovadora do mundo?

ISO 56002:2019 – a norma para gestão da inovação

Existe uma norma para sistematizar a gestão da inovação! 

Vamos entender como que essa norma foi elaborada. Quem cria isso?

Quem publicou essa norma?

A ISO (International Standards Organization) é uma organização internacional que foi fundada em 1947, em Genébra, Suíça. E a ISO já publicou mais de 22.498 normas internacionais, entre elas, essa norma, ISO 56002.

Vale lembrar que a ISO reúne especialistas em cada área de gestão para debater e construir as normas que publica . Hoje, a instituição possui membros em 164 países e mais de 780 comitês e subcomitês técnicos para cuidar disso. 

Uma norma vai ajudar a inovar?

Aqui começa uma grande discussão, na qual eu tenho certeza que vou apanhar de todos os lados. Mas vou falar da “minha experiência” com o tema e com a norma.

Logo que vi uma norma para gestão da inovação fiz as primeiras “piadas”:

– Foi essa norma que o google usou para ser lançado?

– Essa é a norma que o Elon Musk usa na Tesla?

– A Apple é certificada nesta norma? Ou é a 3M que é?

Sim eu sei, piadas sem graça, mas a reflexão é boa, porque uma coisa que quero defender agora é: você não precisa dessa norma para inovar.

Assim como você não precisa da ISO 9001 ara ter qualidade. Muitas empresas inovaram, inovam e vão continuar inovando sem tomar consciência que existe uma norma para esse fim, e isso é ótimo.

Assim como conheço várias empresas que não tem ISO 9001 mas que tem um nível de serviço invejável e uma qualidade superior. Inclusive as empresas que são certificadas.

Agora, para todas as outras empresas (as que não inovam, as que querem melhorar a qualidade) as normas podem sim, ser uma fonte de inspiração e apoio.

Porque a norma ISO 56002 me ajuda a inovar?

O idioma mais falado no mundo é o ISONÊS, uma brincadeira. Isso porque as normas ISO são debatidas por um comitê internacional, ou seja, mais de 160 países podem se envolver na criação de uma norma, todos falando ISONÊS (o “idioma da ISO”).

Já parou para pensar a pluralidade de ideias, contextos, realidades e visões que isso pode trazer? Por isso uma norma internacional tem um peso tão grande e, muitas vezes, é utilizada como um “crivo” para o comércio internacional.

A ISO 56002:2019 não é um conjunto de melhores práticas mundiais da inovação. Não é uma cópia de processos da Apple, Google, Amazon ou Tesla. Ela está longe de ser uma coisa definitiva ou um caminho único para inovar, mas ela é um compêndio de requisitos, termos e diretrizes sobre inovação debatidos por diversos especialistas em mais de 160 países.

A ideia da norma é padronizar as terminologias, ferramentas, métodos e interações entre as partes envolvidas na inovação. Ela busca, com isso, preparar a mentalidade da empresa para a inovação.

A meu ver, essa não é uma norma que vai dar boas inovações. Porém ela pode te ajudar a encontrar as inovações dentro do seu negócio, e testá-las. Se elas vão ser boas ou não, depende de você. A norma vai colocar o seu olhar nos processos para atuar com inovação.

Vale a pena?

Claro que vale. E a mesma ferramenta que constrói pode destruir; depende da intenção, habilidade e destreza de quem a utiliza. Sendo assim, essa “ISO da inovação” é uma ferramenta, e você precisa usá-la direito!

Um ponto que vale ressaltar é que ela estará na estrutura do anexo SL, o que vai facilitar a adequação da norma ao seu sistema de gestão. E que essa é uma ferramenta que pode ajudar sua empresa a ser mais inovadora, mas como em TODA NORMA, o trabalho depende de você, não da norma.


Faz sentido ter uma norma para inovação? E para o seu negócio?

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Inovação aberta: terceirizar a inovação é o melhor caminho?

Você já ouviu falar em inovação aberta? O termo foi criado pelo pesquisador Henry Chesbrough, em 2003, com o lançamento do livro “Open Innovation: The New Imperative for Creating And Profiting from Technology”. A ideia, segundo o autor, é expandir os limites das organizações e contar com colaboradores externos para que a inovação flua de forma múltipla. Genial, certo? Mais ou menos.

Definitivamente, não sou contra a inovação aberta. Muito pelo contrário. Acredito que o intercâmbio de ideias e principalmente o oxigênio trazido por startups ou mesmo universidades é primordial para o processo de inovação de qualquer empresa. No entanto, tenho visto muitas empresas apostarem todas as suas fichas na inovação aberta, deixando de lado a importância de estimular e valorizar a inovação que é gerada por seus próprios colaboradores.

O estilo startup é mesmo apaixonante, em especial para quem já está cansado das formalidades e burocracias do mundo corporativo. No entanto, cabe destacar que nem tudo são flores nesse universo. Segundo um levantamento da aceleradora Startup Farm, de 2016, 74% das startups fecham após cinco anos de existência. Ou seja, a grosso modo, os projetos desenvolvidos por elas já nascem com uma chance significativa de dar errado.

Em tempos de recursos contados, como boa parte das empresas enfrenta hoje com a crise do novo coronavírus, isso é impensável. E não se trata de um valor baixo, acessível para o mercado. Ou seja: muito dinheiro aplicado e que precisa dar um retorno mensurável!

Febre no mercado


Todas as iniciativas são válidas, desde que seja levada em consideração a estratégia específica de cada empresa. Contudo, não podemos, em hipótese alguma, apenas delegar a responsabilidade da inovação para as startups. Elas, em sua maioria, desconhecem profundamente a cultura e os objetivos da empresa patrocinadora. Mais frustrante ainda é não dar voz e vez ao público interno, que clama por atenção para suas ideias – que muitas vezes são simples, mas com alto potencial de impacto na realização de valor da companhia. Estimular o intraempreendedorismo é tão – ou até mais – importante que a conexão com o mundo exterior.

Para inovação aberta e fechada, a ISO 56002

Uma boa forma de orquestrar e mensurar os resultados tanto da inovação aberta quanto da fechada é por meio da utilização do framework internacional de inovação estabelecido pela ISO – Organização Internacional de Padronização, a ISO 56002. Depois de 11 anos de estudos e um consenso entre 164 países, a ISO formulou um guia de boas práticas em inovação. Nele, defende-se a criação de um sistema de gestão da inovação altamente personalizado e com foco nos resultados.

Ao adotar a ISO 56002 como norteador para os processos de inovação, a empresa define as suas metas, política e visão, reunindo esforços para um único objetivo: aumentar a realização de valor. E, um dos capítulos da norma fala justamente sobre a necessidade de criar programas de estímulo à geração de ideias pelas partes interessadas internas e externas. Indo além, a ISO reforça a necessidade de recompensar os inovadores, seja de forma financeira ou não-financeira, a fim de garantir que a inovação venha por todos os lados. Dessa forma, a empresa terá mais quantidade de iniciativas, podendo gerar ainda mais qualidade para suas inovações.

De modo geral, o que a ISO 56002 reforça é a necessidade de desenvolvermos uma direção estratégia, com uma abordagem orientada por processos e indicadores capazes de mostrar se a empresa está no caminho certo ou se precisa fazer algum ajuste de rota.

Desenvolver uma cultura colaborativa, adaptativa e resiliente, capaz de tornar a instituição mais forte e preparada para lidar com as adversidades, também é fundamental. Quem simplesmente aposta todas as suas fichas na inovação aberta, ignora todo o potencial do público interno. A inovação deve ser um processo intrínseco e horizontal para toda a empresa. Por isso, não deve se restringir a uma área, departamento, laboratório e muito menos às startups. Afinal, santo de casa pode fazer milagre. Ele só precisa que a gente se lembre e “reze” por ele.

Trilhando novos caminhos com uma melhor gestão da inovação

Fator essencial para o sucesso de qualquer negócio, a inovação centra-se em acompanhar a competição através de novos produtos, serviços ou formas de fazer as coisas. Uma nova série de Normas Internacionais ajuda as organizações a maximizar os seus processos de gestão da inovação e a tirar partido de todas as suas ideias brilhantes.

Inovação não tem de ser sinónimo de uma impressionante nova tecnologia ou de invenções que mudam as nossas vidas. Pode significar encontrar um melhor modo de fazer as coisas ou modificar produtos que, com o passar do tempo, levam a melhorias significativas a longo prazo. Mas aproveitar estas ideias e inovações exige estratégias sólidas que garantam que são aplicadas da melhor forma.

A nova série de Normas Internacionais ISO 56000 visa fornecer às organizações um conjunto de diretrizes e processos que lhes permitam tirar o máximo partido dos seus projetos de inovação. A ISO 56003, Gestão da inovação – Ferramentas e métodos para parcerias de inovação – Orientação, fornece uma abordagem estruturada para ajudar as organizações a entrar em parcerias de inovação com outras organizações. Ajuda-as não só a decidir se a colaboração com outra organização no seu projeto de inovação é exequível, mas também a selecionar os parceiros certos, a alinhar-se com estes e a encontrar um terreno comum de compreensão. Também fornece orientação sobre o melhor modo de atribuir papéis e responsabilidades, assim como a implementar procedimentos de governança eficazes.

O Relatório Técnico ISO/TR 56004, Avaliação da gestão da inovação – Orientações, irá ajudar as organizações a reverem, com efeito, os seus processos de gestão da inovação, de forma a poderem melhorá-los continuamente e a atingirem uma performance ainda melhor. Adicionalmente, será lançada brevemente a ISO 56002, Gestão da inovação – Sistema de gestão da inovação – Orientações, que irá oferecer pistas para o desenvolvimento, implementação, manutenção e melhoria contínua de um sistema de gestão de inovação.

Alice de Casanove, Presidente do comité técnico ISO que desenvolveu as normas, disse que uma efetiva gestão da inovação permite que as organizações realmente floresçam, ao fazerem o melhor uso do conhecimento e criatividade dos seus próprios funcionários e daqueles com quem colaboram.

“A inovação não é apenas “grandes invenções”, é a capacidade que uma organização tem de detetar e reagir a condições em mudança no seu ambiente, para responder a novas oportunidades e para tirar o máximo a partir dos recursos que já possui”, disse ela.

“Deste modo, as grandes novas ideias que vemos frequentemente surgem como resultado de muitas pequenas ideias e de mudanças que foram implementadas e aperfeiçoadas. Estas normas ajudam as organizações a fazer exatamente isso, fornecendo as melhores práticas e orientação que as ajudam a capturar a informação certa e a utilizá-la com a máxima eficácia”.

O comité também tem estado a trabalhar em proximidade com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para partilhar terminologia e estrutura em comum para a inovação. Como resultado, as definições de “inovação” e “gestão da Inovação” conforme aparecem nas normas são aquelas que a OCDE utiliza no Oslo Manual: Guidelines for Collecting and Interpreting Innovation Data, que é a “principal fonte internacional de orientações para a colheita e utilização de dados nas atividades de inovação na indústria”.

A ISO 56003:2019 e a ISO/TR 56004:2019 foram desenvolvidas pelo ISO/TC 279, Gestão da inovação, cujo secretariado é dirigido pela AFNOR, membro ISO para França.  

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Como criar uma governança para inovação?

    



Inovação é processo. Mais importante que ter ideias é saber organizá-las de modo que elas tragam valor para as empresas. É com esses princípios que a ISO (Organização Internacional de Padronização) publicou a ISO 56002, de Gestão da Inovação.

Baseada em oito pilares – realização de valor, liderança com foco no futuro, direção estratégica, cultura colaborativa, gestão de insights, gestão de incertezas, adaptabilidade e resiliência e abordagem por processos -, essa norma já possui mais de 150 empresas certificadas em todo o mundo e pode ajudar as empresas inovar de forma periódica, sistemática e focada na geração de valor.

Para viabilizar a gestão da inovação nas empresas, são necessários alguns recursos:

Pessoas

Reunir, recrutar e reter os colaboradores envolvidos em projetos de inovação é fundamental. As equipes devem ser multidisciplinares, buscando sempre agregar conhecimento e fomentar a troca de ideias de diferentes pontos de vista. Tudo isso deverá deixar o projeto mais rico. Além disso, é preciso estabelecer incentivos apropriados para valorizar a equipe, incluindo incentivos financeiros, como recompensas e reconhecimento.

Tempo

Não se inova de uma hora para a outra. Por isso, convém que as empresas estabeleçam uma abordagem de gestão de tempo para a implementação efetiva da ISO 56002. Pode ser destinada uma parcela do horário de trabalho para estudos, atividades e treinamentos de inovação.

Conhecimento

É recomendável que a empresa estabeleça uma abordagem para a gestão do conhecimento. Isso permitirá absorver o conhecimento interno e externo, facilitar seu acesso e reutilização e criar mecanismos apropriados para a análise das informações. A norma ainda classifica como conhecimento coletivo aquele que é adquirido pelas pessoas que colaboraram, codificaram e compartilharam seu conhecimento tácito e implícito, que deve ser preservado pelas empresas.

Finanças

Não há como inovar sem recursos destinados a esse fim. Para isso, a empresa deve considerar as oportunidades financeiras, riscos e restrições associadas às atividades da inovação, incluindo as implicações de não inovar. Além disso, é importante definir de onde virão esses recursos: internamente, destinando parte do lucro, ou por financiamento externo, como subsídios à inovação ou investimentos em startups.

Infraestrutura

A empresa precisará definir que recursos de infraestrutura física e virtual serão necessários à inovação. Deverão ser analisados fatores como flexibilidade, relação custo-benefício, equipamentos, tecnologias, transporte e instalações, como laboratórios e espaços criativos. Tudo isso pode ser feito pela própria empresa ou com a colaboração de agentes externos, por parcerias ou serviços terceirizados.

Por fim, é possível perceber o quanto a inovação deve ser um esforço em conjunto nas empresas. Os líderes precisam ter esse objetivo bem claro de modo que possam inspirar e "engajar" os demais colaboradores no processo. Essa governança será fundamental para que as etapas sejam mais rápidas e eficientes, buscando demonstrar o valor em que aquela inovação resultará.

Como inovar com foco na realização de valor?

O que antes era diferencial, hoje virou consenso. A inovação tornou-se fundamental para empresas de quaisquer portes ou segmentos, um processo que só se acelerou com a pandemia. Permanecer com as mesmas estratégias, produtos, serviços ou modelos de negócio dificilmente trará resultados diferentes. Mas, sair atirando para todos os lados, submeter-se a reuniões e encontros estressantes ou, ao contrário, ficar horas em ambientes de descompressão para tentar extrair uma única boa ideia não são os melhores caminhos para inovar.

A inovação deve caminhar de mãos dadas com a gestão. Para além de uma metodologia que valoriza a criatividade e o ineditismo, inovar requer processos, métricas, análises e muita tentativa e erro, buscando sempre que eles sejam grandes fontes de aprendizagem.

Como inovar, afinal?

Primeiramente, é preciso entender como essa combinação funciona. Este processo é chamado de gestão da inovação e reúne as melhores práticas de ambas as áreas, buscando estabelecer possibilidades de acompanhar a inovação, de modo a entender como ela pode gerar valor para uma empresa, sem engessá-la.

Para auxiliar as empresas nessa empreitada, foi publicada a ISO 56002.

A norma ajuda a estabelecer quais são os objetivos da empresa ao inovar. Ela pretende atrair mais clientes por meio da melhoria de um produto ou serviço? A inovação será implementada em apenas uma área que precisa de otimização? Ou é hora de reinventar o próprio negócio antes que uma tecnologia dirruptiva o faça? Antes de dar qualquer passo, as metas precisam estar bem claras – especialmente para os gestores.

A cultura da inovação

Os líderes tem um papel fundamental, disseminando todos os valores e propósitos da empresa para os colaboradores. A cultura de inovação precisa permear todos os níveis hierárquicos e setores. É preciso criar um ambiente favorável à geração de ideias. Para que as estratégias tenham sucesso, alguns fatores são fundamentais, como "engajamento" e participação. Além disso, um gestor precisa ser responsável por conduzir o projeto, extraindo o melhor de cada colaborador e suas ideias.

Finalmente, é hora de estruturar os processos que conduzirão a empresa aos melhores resultados. Nesse momento, será preciso validar as ideias de forma multifatorial. Há tecnologia suficiente para viabilizar o projeto? É financeiramente possível? A proposta tem aderência no mercado? Apesar da demanda existente, de que forma é possível apresentar essa ideia ao público de forma persuasiva e comerciável? Quando essas e outras perguntas relacionadas tiverem sido respondidas, é hora de finalmente tirar a ideia do papel e transformá-la em um MVP (Produto Minimamente Viável).

Durante todo o processo, é preciso ter em mente a realização de valor. De nada adianta uma empresa ter a ideia mais inovadora do mundo se ninguém quiser pagar por ela – ou ela for tão cara que ninguém possa pagar por ela. Todo o processo deve ser tecnológica, financeira e humanamente sustentável. Assim, a inovação se torna muito mais assertiva e rentável para o negócio. 

Gestão do conhecimento: como planear este tema na sua organização?

Certamente, você já esteve em um projeto ou empresa em que, quando uma pessoa é desligada ou solicita sua saída, o conhecimento vai embora junto com ela. Ou talvez já tenha participado de uma transição de software (ERP, por exemplo), onde conhecimentos preciosos são deixados para trás por conta da formatação diferente que está estruturada a nova plataforma. Ou ainda, deve conhecer uma empresa onde os processos eram escritos, mas eles foram mudando com o tempo e os métodos utilizados não foram atualizados.

Estes e tantos outros casos que você e eu vivemos são exemplos clássicos de (má) gestão do conhecimento. Sabemos que eles são comuns em organizações de diversos portes e segmentos. Se considerarmos os conhecimentos que a empresa não tem e precisaria adquirir de alguma forma, ou aqueles conhecimentos que ela precisaria compartilhar internamente ou com outro player, e isso fica na inércia do dia a dia, aí teremos um potencial conjunto de problemas ligados à (má) gestão do conhecimento. Temos certeza que, ao ler estas situações, há muito de “familiar” a você e a mim, pois ao longo de nossa trajetória, vivenciamos casos como esses nos projetos e empresas que participamos.

Conhecimento é estratégia

Mesmo o “conhecimento” sendo o bem mais precioso das organizações, pois dele advém toda a criatividade para a inovação, gestão da rotina, capacidade de resolver problemas, de criar estratégias e tantas outras ramificações, as empresas ainda não o tratam com a devida importância. Por que afirmamos isso? Porque na maior parte das organizações não há processos para assegurar a (boa) gestão do conhecimento. Talvez porque, sendo ele um bem intangível, temos maior dificuldade de visualizarmos a possibilidade de gerenciamento.

A partir do momento que mapeamos o conhecimento na nossa organização, definindo o que precisa ser adquirido, mantido, compartilhado e transformado em termos de conhecimento. Tudo vai ficando mais claro! É como se fizéssemos um “plano estratégico do conhecimento”, dando ao tema a importância que todos nós já sabemos que ele tem, e que merece o nosso cuidado e as devidas ações para geri-lo.

Dentre os diversos frameworks de gestão do conhecimento desenvolvidos nos últimos anos, ressaltamos que a própria ISO – entidade que desenvolve normas sobre diversos temas e tem credibilidade mundial, emitiu em novembro de 2018, a norma ISO 30401, intitulada “Sistemas de Gestão do Conhecimento”: um conjunto de requisitos que podem ser aplicados em qualquer organização com o objetivo de sistematizar a gestão do conhecimento nas organizações.

Por que aplicar a ISO 30401 na minha organização?

O motivo principal é a possibilidade de sua empresa largar na frente na criação de processos para tratar o “conhecimento” como ele merece. Ou seja, com o status de ser o “bem mais precioso das organizações”, como frisamos acima. Se ele é tão importante assim, por que não gerenciá-lo com instrumentos técnicos e com o cumprimento dos requisitos trazidos pela ISO, que orientam e mostram um caminho a seguir? Há inúmeras outras vantagens em aplicar gestão do conhecimento. Algumas delas, temos certeza que você já percebeu. Em outro momento, compartilharemos quais são estes outros benefícios e como você pode fazer uso deles com o auxílio da nova norma.

A importância dos processos para a inovação

    A pandemia deu um novo significado à inovação. Se antes, empresas viam a geração de ideias como um processo de estímulo à criatividade – e nada além disso – hoje, ficou evidente o quanto aqueles que não estiverem preparados ou não se adaptarem aos novos tempos estarão fadados ao fim. 

Ao mesmo tempo, também caiu por terra a ideia de que inovar é estar imerso em um ambiente de puffs confortáveis, relvado sintético e post-its coloridos. Assim como diversas operações dentro de uma empresa, a inovação também requer processos, acompanhamento e métricas.

O poder da Gestão da Inovação

Como exemplo, temos a ISO 56002, que mostra a importância de unir gestão e inovação. Durante 11 anos de estudo, especialistas de todo o mundo procuraram reunir as melhores práticas sobre o tema nos seus países. O resultado foi uma norma reconhecida internacionalmente com as melhores diretrizes para inovar. Mas, se a inovação é vista como algo livre de regras e disruptivo por natureza, como esperar que processos e etapas facilitem o seu desenvolvimento?

É justamente o que a ISO tenta nos ensinar há anos. As normas não devem ser vistas como mais um processo burocrático a qual as empresas estão submetidas, mas um sistema que possibilita processos mais ágeis, identificar e resolver problemas com mais facilidade, entre outros benefícios. Ao implementar um Sistema de Gestão Integrado, que pode reunir diversas normas, inclusive a ISO de inovação, é possível visualizar o negócio por completo e verificar quais as áreas que poderiam funcionar de uma melhor forma. Em outras palavras, as normas ajudam a compor um sistema que permitirá avaliar a saúde da empresa – e, assim, fazer check-ups sempre que necessário.

No caso da ISO 56002, a ISO foi ainda mais pertinente ao entender que inovar não é como preparar um bolo. Não há receita ou modelo certo a seguir: o destino é fruto direto da trajetória que a empresa trilhar. Só ela sabe como fazer isso, com base na sua cultura, valores e mercado em que está inserida.

Funil da inovação

Entretanto, como o principal objetivo da norma é fazer as empresas obterem lucro com a inovação em produtos e serviços, a ISO estabelece um funil de inovação com algumas etapas. Tudo começa ao identificar e classificar uma ideia: se é uma melhoria ou inovação; e se for uma inovação, de qual tipo, como, por exemplo, criativa, radical, incremental, disruptiva ou tecnológica.

Depois, metodologias como o Design Thinking, podem ajudar a desenvolver melhor o projeto e como ele pode ser um sucesso para minha empresa. A terceira etapa envolve a validação de diversos setores, como financeiro e tecnológico. Ela funcionará como um termómetro de mercado, para sentir a aderência da ideia aos possíveis compradores. Depois, é hora de finalmente executar a ideia. Nessa etapa de desenvolvimento, tiramos os insights do papel e damos vida a eles. Para isso, podemos usar metodologias como o SCRUM para nos auxiliar. Por fim, criamos o nosso MPV (Produto Minimamente Viável).

A ISO 56002 não diz o que cada empresa deve fazer, mas orienta para qual o caminho a ser percorrido para identificar se uma ideia realmente tem valor. É o equilíbrio essencial para criar métricas que possibilitem acompanhar o sucesso de uma inovação sem engessá-la.

Unir o melhor das práticas de gestão e das metodologias de inovação, propiciando um processo único para cada empresa encontrar a sua própria maneira de inovar.

O que é BPM, BPMN e BPMS

  O que é BPM, BPMN e BPMS Hoje em dia vivemos na era das siglas, e todas as áreas tem suas siglas peculiares. Na gestão de negócios, temos ...