sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Gestão da Inovação: Tudo o que você precisa saber

 


Gestão da Inovação é o conjunto de processos e atividades baseadas em fundamentos, que permitem que a inovação possa ser contínua em organizações. Pois, partindo do pressuposto que toda organização que queira se diferenciar deve inovar, é preciso haver um processo definido para que a inovação aconteça de forma constante. Controlar esse processo e suas variáveis, como fundamentos e atividades, é chamado de Gestão da Inovação.


O que você vai ver nesse artigo:


  • A História da Gestão da Inovação
  • Porque a Gestão da Inovação surgiu 
  • Definição de Inovação em Empresas
  • Delimitando a Inovação
  • Capacidade de Inovação da sua empresa: em qual nível inovar na sua empresa?
  • Definindo o seu foco de inovação
  • Pontos de desenvolvimento da Gestão da Inovação
  • Casos de sucesso da Gestão da Inovação
  • Considerações Finais


HISTÓRIA DA GESTÃO DA INOVAÇÃO

A história da gestão da inovação não pode ser desvinculada da história da inovação a partir do ponto de vista da economia – que remonta ao começo do século XX.

Entre os anos 1930 e 1940, o economista austríaco Joseph Schumpeter identificou a inovação como um fator significativo para o crescimento econômico. Já em 1979, Ralph Biggadike publicou um artigo na revista Harvard Business Review, abordando a sua pesquisa sobre o que as empresas poderiam esperar ao inovar, intitulado “The risky business of diversification” (em tradução livre: “O negócio arriscado da diversificação”). A pesquisa foi realizada utilizando dados de 68 inovações realizadas por 35 empresas.

Nos estágios iniciais, incluindo os trabalhos de Schumpeter sobre o assunto, a inovação era vista ainda como um processo individual e resultado de uma combinação de inteligência, experiência e intuição. Depois, na década de 1980, ganhou força a visão de que a inovação exige envolvimento das pessoas dentro da organização; o resultado foi o surgimento da famosa caixa de sugestões, como ferramenta para promover esse envolvimento.

Outra tendência da década de 1980 foi a criação do departamento de P&D. Na contramão da proposta de envolvimento de todos, ele limitava a inovação a um grupo apenas de pessoas dentro da empresa. Muitas vezes, o resultado eram criações que não tinham relevância mercadológica e não traziam resultados concretos para o negócio. Por isso, não podiam ser realmente consideradas inovações, mas sim invenções.



PORQUE A GESTÃO DA INOVAÇÃO SURGIU


A gestão da inovação surgiu para permitir que as empresas inovem de maneira sistemática, em vez de deixar a questão ao acaso. Somente sendo consistente e (relativamente) previsível, a inovação pode tornar-se, de fato, uma ferramenta para obter uma posição mais vantajosa no mercado.

A inovação sistemática, por sua vez, é uma resposta ao crescimento da concorrência. Ela permite que uma empresa consiga conquistar mais clientes, explorar novos nichos, reduzir custos – enfim, encontrar maneiras de preservar seu espaço. Empresas que não inovam são eventualmente superadas, direta ou indiretamente; é o caso da substituição do táxi pelo Uber, ou dos hotéis tradicionais pelo AirBNB. Em outras palavras: se você tem concorrentes, precisa inovar.


DEFINIÇÃO DE INOVAÇÃO EM EMPRESAS


Depois de entender como a Gestão da Inovação surgiu, precisamos alinhar o que é inovação.

A sua definição pode ser diferente de acordo com a época e o autor. Mas a frase que mais se alinha com o propósito dela estar presente em empresas é:


“Inovação é a implementação de ideias que geram valor para o negócio” 


É importante esse alinhamento para que o conhecimento sobre Gestão da Inovação possa ficar claro e tenhamos a possibilidade de prosseguir.


DELIMITANDO A INOVAÇÃO


Agora que já é compreendido o que é inovação dentro de empresas, temos que ter em mente que existem diferentes tipos de inovação.


Para uma Gestão da Inovação eficaz, é preciso subdividir a inovação e saber com qual trabalhar e quais ações promovem cada tipo de inovação. Essa é uma ação que serve até para desmistificar a inovação:


  1. Inovação radical ou disruptiva: é a inovação que muda as bases de um mercado já estabelecido, com um produto novo, um novo serviço ou uma nova maneira totalmente diferente de fazer algo que há muito tempo era feito de uma única maneira.
  2. Inovação incremental: é a inovação que causa pequenas mudanças a algo já estabelecido. É uma forma de otimização para se obter mais valor de um produto, serviço e até processos.

Mas sabia que a inovação disruptiva só surge em um ambiente propício, com cultura de inovações incrementais? É isso que um famoso pesquisador de inovação diz.

Joe Tidd escreve que uma inovação disruptiva em uma empresa, só surge depois de um conjunto de inovações incrementais.

“[…] conclui-se que a inovação incremental, ainda que arriscada, é uma estratégia gerencial de grande potencial, porque inicia a partir de algo conhecido, que é melhorado. Entretanto, à medida que avançamos para opções mais radicais, a incerteza tende a aumentar, até o ponto em que não temos a menor ideia sobre o que estamos desenvolvendo ou em vias de desenvolver! Isso mostra por que a inovação descontínua é tão difícil de ser controlada” – Joe Tidd

Logo, a inovação contínua através da Gestão da Inovação, é uma maneira de controlar as variáveis da inovação.

E outro dado muito interessante é que inovações incrementais podem gerar mais retorno financeiro do que inovações em produtos já existente, explica novamente Joe Tidd.

Por isso é extremamente importante para um Gestor da Inovação, saber que ele deve estimular as inovações incrementais para que as maiores chegam e também para que seu ciclo de inovação se justifique e seja sustentável, pois a área e o cargo de Gestão da Inovação só fazem sentido se houver ROI da inovação para a empresa.



CAPACIDADE DE INOVAÇÃO: EM QUAL NÍVEL INOVAR NA SUA EMPRESA?



Para nos aprofundarmos mais, depois de todos os conceitos acima já compreendidos, é preciso saber quais problemas atacar com ideias inovadoras.

Baseando-se nos horizontes de inovação, existem 3 níveis possíveis para se trabalhar a Gestão da Inovação. Você vai precisar de ideias diferentes dependendo do horizonte no qual a sua empresa precisa de mais atenção:


  1. Primeiro nível: É o aprimoramento do que já está a funcionar na sua empresa, esse nível está muito interligado com o conceito de inovação incremental. Será que o que sua empresa faz já está quase 100% otimizado? Pense sobre isso.
  2. Segundo nível: Atacar novos negócios com base em mercados que a empresa já domina. Então, nesse nível você precisa entender quais são os mercados que são semelhantes ou iguais aos que você já atua e pensar em maneiras de explorar essas novas possibilidades, por isso é importante o domínio do mercado principal para poder entrar nessa fase.
  3. Terceiro nível: Essa é a fase das hipóteses a serem testadas, ideias mais arriscadas que precisam ser validadas. O investimento feito para ideias desse nível é mais voltado para a experimentação e uma vez que as ideias dessa fase são validadas, podem se tornar os novos produtos que vão ser decisivos para o futuro da sua empresa.

DEFININDO O SEU FOCO DE INOVAÇÃO


Conseguiu entender as principais fases que compõem os horizontes de inovação? 

Nessa fase de foco, é preciso entender a realidade atual da sua empresa e saber em quais horizontes atuar:


Foco único – depois de refletir sobre os conceitos de horizontes de inovação e sobre o seu negócio, é possível que você chega à conclusão de que é melhor focar em novos processos e/ou em novos produtos. No entanto, se você não estiver seguro de que sua empresa faz muito bem o que se propõe a fazer, provavelmente no início da sua gestão de inovação seja mais interessante você pensar em inovações incrementais de processo e/ou produtos já existentes.


Multi foco – também é possível trabalhar de formas diferentes ao mesmo tempo. Sua empresa pode estar em um momento de transição entre os horizontes de inovação e seja exatamente a hora de começar a pensar em novos projetos relacionados ao seu negócio e ao mesmo tempo sempre se preocupar com a inovação incremental contínua, melhorando o que já existe.

Com certeza chegará o dia no qual a sua a empresa estará sempre caminhando entre os três horizontes, que é um cenário muito saudável de inovação.


Para ter a possibilidade de trabalhar ao mesmo tempo com os três horizontes, é recomendável a implantação de um Programa de Ideias de Inovação na sua empresa. Dessa forma, aumenta-se a capacidade de ter novas ideias para geração de valor para o negócio.


PONTOS DE DESENVOLVIMENTO DA GESTÃO DA INOVAÇÃO


Para que a inovação seja contínua e tenha alto impacto para os resultados de uma empresa, é preciso desenvolver fundamentos que garantem o desenvolvimento de um processo de inovação contínua.

Esses fundamentos, são esforços que a própria organização deve viabilizar, então é importante entender quais são os principais pontos de desenvolvimento que a sua empresa pode precisar para ter um ambiente mais propício a inovação:


APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL

É a capacidade da empresa de não cometer os mesmos erros do passado, entender o perfil dos próprios trabalhadores, perfil dos clientes e peculiaridades do mercado. Esse fundamento resume-se à base de conhecimento que a empresa possui para sempre estar em evolução.

Saber dos erros passados pode livrar sua empresa de cometer os mesmos erros no futuro. Isso srelaciona-se muito com Gestão da Inovação, pois uma vez que no passado algo já não deu certo, vale a pena saber a razão pela qual o erro aconteceu. Isso dá abertura para tentar aplicar ideias de forma diferente.

A aprendizagem organizacional tem muito a ver com ROL (Return on Learning) ou Retorno sobre o aprendizado.


CULTURA DE INOVAÇÃO

A cultura de inovação está ligada à liberdade individual que os colaboradores têm para tomar iniciativas que podem gerar valor para a empresa.

E essa cultura de inovação certamente não surge do nada, é preciso construir. E só se constrói alguma coisa tomando ações concretas.

Por isso, que incentivar e reconhecer as pessoas que tem iniciativa e geram resultados além do esperado é uma das principais formas de disseminar e desenvolver uma cultura mais inovadora.

Comunicar essa liberdade individual é importante para que iniciativas intraempreendedoras aconteçam, por isso é fortemente recomendado que os líderes empresariais incentivem e usem o empowerment para promover um melhor clima organizacional e estimular os colaboradores.

Algumas ferramentas podem ajudar toda a empresa a "engajar" os colaboradores em uma cultura inovadora. Pode-se usar os one-on-ones, que é uma reunião do colaborador com seu gestor direto, onde o gestor pode o ajudar através de um plano de desenvolvimento individual.

Também é possível usar de encontros comuns e presenciais para comunicar o que a empresa espera dos colaboradores, como palestras e treinamentos.

E para uma cultura pegar é preciso uma comunicação feita sete vezes através de sete formas diferentes!


ESTRATÉGIA ORIENTADA À INOVAÇÃO


Entende-se que inovação é a ideia implementada que gera valor para o negócio. E a geração de valor é dada de diferentes formas, então ela culmina em mais dinheiro entrando ou mais "engajamento" dos colaboradores no negócio. É dessa forma que funciona um Programa de Ideias.

E se inovação é gerar valor para o negócio e um Programa de Ideias de Inovação gera valor de forma contínua, podemos concluir que deve ser estratégico para qualquer empresa incentivar a inovação e torna-la contínua através de um Programa de Ideias.


Por isso, toda empresa deve ter na sua estratégia, algo relacionado a inovação. Se tiver e não executar, não vale de nada. E se não tiver, é o mesmo.


LIDERANÇA COMPROMETIDA COM A INOVAÇÃO


Existe uma frase comum quando se trata de liderança e pipeline: “metade do seu sucesso é o seu sucessor”

A liderança é tão importante em vários aspetos que talvez não caiba em palavras. Primeiro que liderar é mostrar o caminho e fazer junto, tomar a responsabilidade, ter iniciativa, assumir riscos…

Mas existe um ponto mais importante que muita gente esquece: liderar é também desenvolver pessoas.

E se você desenvolve pessoas, logo elas estarão mais aptas a exercerem todo o seu potencial profissional, inclusive sugerir melhorias para sua empresa e gerar valor para o negócio.

Liderar então é alavancar pessoas. E inovação vem das pessoas e liderar também é ser exemplo. Por isso uma empresa para se tornar inovadora, ela precisa de ter líderes que incentivem os colaboradores a terem ideias e fazer diferente.

Ninguém vai dar novas ideias para inovação se existirem líderes que deixam as pessoas para baixo e não ouvem de fato as sugestões de melhorias das pessoas, principalmente as da linha de frente.


MARKETING PARA A INOVAÇÃO


Em um Programa de Ideias com uma Gestão de Inovação avançada, com certeza existe um marketing bem usado.

Um dos fatores que faz a Gestão de Inovação ser facilitada é o marketing, pois sem comunicação para "engajamento", sem novas ideias, a inovação fica sem matéria prima.

E um dos pontos mais importantes para um Programa de Ideias, é o "engajamento".

Por isso o marketing, ou melhor, o endomarketing (marketing interno) é essencial para habilitar as engrenagens do gatilho para novas ideias dos colaboradores.


PROCESSOS HABILITADORES DA INOVAÇÃO

Como citado no início do artigo, a inovação pode ser observada como um processo, onde existe um input e um output, como uma fábrica.

No início a matéria prima são as ideias, que podem vir dos próprios colaboradores da empresa e no final de tudo temos a inovação, que são as ideias implementadas gerando valor para o negócio.

Então para que a inovação seja constante, você precisa de um processo bem definido. E para ter uma Gestão da Inovação eficaz, você deve conseguir controlar o máximo de variáveis possíveis desse processo de inovação.

E como auxilio nesse controlo de processo, você pode adquirir uma ferramenta que te ajude na Gestão de Inovação, um Software de Gestão de Inovação.


PESSOAS ORIENTADAS À INOVAÇÃO


Já vimos que as pessoas que estão no centro da inovação. Por esse motivo, esforços por parte da empresa e gestores devem ser dirigidos para as pessoas.

Esses esforços devem ser direcionados para a criação de um ambiente que permita a inovação e valorize as pessoas que tem iniciativas.

Através de educação em formato de eventos e palestras é possível estimular um pensamento diferente nas pessoas já estabelecidas em uma organização. E através da inovação no setor de Pessoas, é possível estabelecer processos melhores para a seleção de perfis que são mais aptos a tomarem iniciativas inovadoras.


RELACIONAMENTO COM O AMBIENTE EXTERNO


É extremamente importante relacionar-se com diferentes realidades, perspectivas e pessoas para que haja a possibilidade de você conseguir sair de sua própria bolha para pensar fora da caixa.

Por isso, para uma boa Gestão da Inovação, é possível usar eventos e palestras para educar e fomentar diferentes pensamentos em pessoas que são envolvidas no processo de ter ideias para a inovação. Você pode levar para a sua empresas pessoas de fora, com uma visão externa, para educar os seus colaboradores.

Um bom gestor da inovação certamente deve ser uma pessoa aberta a novos pensamentos e deve saber que a geração de melhores ideias pode vir não só dele, mas de colaboradores, clientes, fornecedores.

O debate também deve ser promovido, pois só através de ideias discutidas, aprimoradas e colocadas em prática surge a inovação. E qual seria resultado melhor do que esse para a Gestão da Inovação?


RECURSOS FINANCEIROS DISPONÍVEIS PARA A INOVAÇÃO


Um dos pontos mais importantes da Gestão da Inovação é a correta alocação de recursos financeiros e controle de todo ROI da inovação, advindo das iniciativas de inovação da empresa.

A inovação deve ser vista como um investimento, a partir do momento que existe a possibilidade de se obter um retorno financeiro. É somente através dessa mudança de mentalidade que é possível ter o suporte necessário que os projetos de inovação precisam.

Outro fator importante é saber onde captar recursos para investir em inovação. E nada melhor que procurar entidades especialistas nesse assunto.


CASOS DE SUCESSO EM GESTÃO DA INOVAÇÃO



CASO DA 3M

Um dos casos mais claros de sucesso é a 3M. Anualmente, ela registra cerca de 3000 novas patentes. Em 2014, a empresa comemorou o registro de 100.000 patentes. Essa grande quantidade de criações não acontece por acaso; só é possível graças a excelentes práticas de gestão da inovação, que facilitam o trabalho da equipa de P&D e que reforçam a cultura de inovação por toda a empresa.


CASO DA AMAZON

Outro caso emblemático é o da Amazon. Em vez de se limitar a inovações em produtos, a empresa renovou todo o seu modelo de negócios: criada como um e-commerce de livros, hoje ela é um dos maiores market places da internet, oferece serviços de TI, formou uma estrutura própria de logística que é das mais eficientes do mundo.

A gestão da inovação, é claro, teve um papel central nesse processo, já que permitiu que a Amazon identificasse as melhores oportunidades ao longo do caminho. Ou seja, apenas de toda a mudança e diversificação que a empresa atravessou nas duas décadas desde a sua fundação, nada foi feito apenas à base de intuição.


CASO DAS PMES

Nem todos os casos de sucesso em gestão da inovação são de gigantes corporativas. As PMEs também já despertaram, há muito tempo, para a importância de inovar de maneira consistente.

Vários pesquisadores das áreas de economia e administração têm se dedicado a estudar como é feita a gestão da inovação em pequenas e médias empresas, e como a inovação ajuda tais empresas a conquistar uma vantagem competitiva. O que esses estudos parecem descobrir é que, embora os negócios de pequeno e médio porte enfrentem alguns obstáculos para a inovação, como a restrição em recursos e mão de obra com menos qualificação,  eles podem realizar esforços organizados voltados à inovação e obter bons resultados.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Definitivamente a Gestão da Inovação é algo muito valioso: faz ter uma compreensão maior da inovação e ainda é uma maneira de controlar as variáveis da inovação, que para muitas pessoas pode ser algo inimaginável e até mítico. Ser protagonista nesse assunto e aplicar dentro de uma organização, traz resultados muito satisfatórios, além de ter um impacto enorme na empresa e na economia. Mas como todo processo e produto, tudo pode ser melhorado e a própria Gestão da Inovação é algo que está sempre evoluindo por meio de pessoas que tem a capacidade de ver o mundo através de perspetivas diferentes, usando isso para inovar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Laboratório de Inovação: o que é e como criar o seu espaço?




Você sabe o que é um laboratório de inovação? 

É um espaço criativo e colaborativo, onde novos conhecimentos são trocados e ideias são desenvolvidas.

Os laboratórios são projetados para oferecerem condições mais favoráveis ​​para que a inovação ocorra em uma empresa.

Entenda como criar esses ambientes, que tem diversas características especiais.

O objetivo


Um laboratório de inovação visa gerar novos produtos, serviços ou orientar a reformulação de processos através de melhorias que podem ser de ordem incremental ou disruptiva.

Um aperfeiçoamento incremental pode ser, por exemplo, encontrar uma maneira de aumentar a produtividade interna ou melhorar a experiência do cliente. Já uma melhoria disruptiva pode levar ao desenvolvimento de um modelo de negócio totalmente novo para um produto ou serviço.

Ter um espaço designado para a inovação também pode trazer ganhos para a cultura da empresa e para suas comunicações internas, uma vez que esses espaços funcionam como um hub e disseminam os conhecimentos adquiridos a partir de cada projeto, potencializando a cultura de inovação.

Equipa do Laboratório


A equipa do laboratório é normalmente composta por profissionais escolhidos a dedo, que podem ser empregados pela empresa ou terceirizados, dependendo das necessidades da organização. Uma combinação de ambos os cenários é sugerida em muitos casos. 



Do que o laboratório precisa?


Antes de entrar em detalhes técnicos, devemos refletir sobre uma coisa: o laboratório será construído para as pessoas. O que queremos delas? O que vai inspirar o melhor desempenho no trabalho a ser realizado?

Claramente, estas perguntas não têm uma resposta única. Cada laboratório deve ser projetado para atender às necessidades de cada empresa e seu corpo heterogêneo de funcionários; assim, um estudo aprofundado deve ser feito para compreender essas necessidades.

Se pararmos para pensar sobre como a indústria da tecnologia – em constante mudança – afeta o comportamento e, consequentemente, o desempenho dos seus usuários, é possível começar a projetar soluções que visem promover conversação, troca e aprendizagem em um ambiente dinâmico. Isto é o que um laboratório de inovação deve ter, essencialmente.

O ser humano é movimentado pelo "engajamento", seja durante o trabalho ou fora dele. De acordo com o relatório PSFK  “Construindo o Amanhã– Tendências Dirigindo o Futuro do Design”, arquitetura e design desempenham um papel importante na construção de conexões no local de trabalho, bem como em outras situações. 

Características do Laboratório

Então, um laboratório de inovação deve atender alguns requisitos: 


– Deve ser espaçoso, aberto e estrategicamente localizado para que um volume considerável de pessoas possam interagir com o laboratório e também ser parte do que está acontecendo lá.

– Deve estimular a criatividade, por ter mobiliário móvel e colorido, o que cria uma sensação de dinamismo e capacidade de adaptação a diferentes contextos. A iluminação adequada também é muito importante (não é uma coincidência o símbolo internacional de uma ideia ser uma lâmpada!). 

– Deve haver quadros e paredes abertos para facilitar a partilha de ideias, bem como inspirar a decoração, como citações e conceitos tecnológicos.

– O pensamento visual é um conceito importante para guiar a construção do espaço, uma vez que é um instrumento usado para representar e organizar as ideias. Quando elas são representadas de uma forma visual, se tornam  táteis e mais fáceis de construir, através da colaboração.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A Importância da Validação de Métodos Analíticos




O desenvolvimento de um novo método analítico ou a adaptação e implementação de um método já normalizado ou descrito na literatura técnica, envolve um processo de avaliação que estime sua eficiência na rotina do laboratório. A esse processo, habitualmente, denomina-se validação.

O objetivo da validação consiste em demonstrar que um determinado método analítico proposto é adequado ao que se propõe; ou seja, garantir que a metodologia analítica seja exata e precisa, além de estável, reprodutível e flexível para uma faixa específica de uma substância que se espera identificar ou quantificar. Em suma, validar significa garantir que as análises de rotina reproduzam valores consistentes se comparadas a um valor de referência.

Com isso, temos que o método é considerado validado quando o mesmo é avaliado segundo uma série de parâmetros estabelecidos, como: especificidade e seletividade, linearidade, intervalo ou faixa de trabalho, precisão, limite de deteção, limite de quantificação, exatidão e robustez (repetitividade) e apresenta o desempenho esperado.

A validação de um método vai além de se obter resultados de exatidão idênticos para uma série de medidas realizadas. Ela inclui além dos parâmetros ditos anteriormente, uma completa análise considerando diferentes analistas, equipamentos de medição e ensaio, métodos de análise e quaisquer outras possíveis fontes de variação do processo analítico.

Para auxiliar no processo de validação de um método, uma vasta literatura está disponível, dividindo-se entre os mais amplos campos, entre elas: ISO/IEC 17025 que trata dos requisitos gerais para competência de laboratórios de calibração e ensaios; INMETRO DOQ-CGCRE-008: orientação sobre validação de métodos analíticos; EURACHEM: The Fitness for Purpose of Analytical Methods; ou ANVISA: Resolução 899, etc...!

Em virtude da importância da validação de um método de análise, o primeiro passo e de todos o mais importante para se ter sucesso nesta empreitada é o planeamento do processo de validação do método desenvolvido ou adaptado. Um bom planeamento deve conter, minimamente, as etapas de:

  • Definição clara do objetivo do método analítico que se encontra em desenvolvimento e validação;
  • Definição dos parâmetros de desempenho e critérios de aceitação a serem considerados como validadores do método;
  • Quantos e quais experimentos preliminares serão realizados com o objetivo de se definir a conformidade do sistema de medição a ser utilizado nos ensaios de validação;
  • O protocolo de avaliação ou plano mestre de validação que será utilizado e quais os experimentos que serão realizados para validar o método desenvolvido;
  • Relatório de validação com todos os detalhes dos testes e a análise estatística detalhada dos dados.

Quanto melhor e mais detalhado for o planeamento, maiores são as chances de se ter sucesso na validação do novo método.

Assim, dada à importância do tema validação associada às fortes regulamentações de alguns setores ou às necessidades de comerciais de tantos outros, os laboratórios de todos os âmbitos devem estar atentos aos seus métodos analíticos e sua adequada validação, sempre que o convier.

Não se atender detalhadamente ao processo de validação, construindo um trabalho adequado e robusto que seja capaz de garantir a competência do método desenvolvido, pode transformar um trabalho digno de louvores em uma grande perda de esforço e comprometer a reputação do laboratório de análises.

4 Tipos de inovação criados através do Design Thinking

 



Segundo Charles Handy, especialista em gestão e comportamento organizacional, “o mundo se mantém mudando. Um dos paradoxos do sucesso é que as coisas e caminhos que te levaram até onde você está raramente são aquelas que irão te manter no topo”.

O que leva as empresas ao sucesso raramente é o que garante sua continuidade. Ou seja, atualize-se, ou você terá problemas: “Update or Die”.


Soluções inovadoras são aquelas que representam formas melhoradas ou totalmente novas de responder a demanda ou oportunidade do mercado. 

Existem vários tipos de inovação, sendo sistematizados em quatro grupos: Oferta, Marketing, Processo e Organização.


  • Inovação em Oferta: reúne o desenvolvimento dos novos modelos de negócios, de produtos, serviços, ou sistemas de produtos e serviços, que têm características ou funcionalidades inéditas, únicas.
  • Inovação em Marketing: trata das inovações de modelos de lucro, monetização, precificação, em canais, distribuição, comunicação, "engajamento" com consumidor, marcas, considerando os 4 Ps do Marketing.
  • Inovação em Processo: cuida da utilização de processos, métodos, fluxos e do desenvolvimento de novos processos, que são dirigidos à eficiência ou formas únicas de produção e distribuição.
  • Inovação em Organização: reúne as iniciativas voltadas à reestruturação de recursos humanos e bens de gestão de mudança, transformação cultural e capacitação. Inclui a forma com que as pessoas podem usar sua estrutura física, as suas maquinas, sala e equipamentos.

As empresas podem inovar tanto na arte da oferta de valor, quanto na arte da eficiência. A arte de oferta de valor acontece na infância ou na reinvenção. A arte da eficiência acontece na fase de crescimento, quando a empresa está buscando basicamente produtividade, eficiência operacional, explorar uma oportunidade ao máximo.

Fuzzy Front End

 

Fuzzy Front End - Blog MJV

O Fuzzy Front End representa visualmente o processo de inovação. No começo esse emaranhado é marcado pela incerteza, quando há muita informação, pouca clareza sobre o que será o resultado do processo e do problema ou desafio que está tentando endereçar. Esse é o momento de explorar o que será útil e desejado para as pessoas no futuro.


Em seguida, inicia a identificação e organização de oportunidades, testar para concluir o que pode e o que deve ser desenvolvido. O processo vai da incerteza até a clareza. Quando se tem uma oportunidade identificada e validada, pronta para ser desenvolvida para se tornar uma solução vencedora.

Outro aspeto é o reenquadramento de um desafio, que trata de buscar raiz dos problemas para criar soluções efetivas. É preciso ir além das conclusões iniciais, para olhar para o problema de forma correta e reenquadrá-lo. É comum que o cliente ache que tem um problema, mas com o início do projeto, é observado que o problema é outro.


Já na imersão ou na análise podem-se testar algumas suposições, algumas ideias. Experimentar constantemente para validar a oferta e verificar  o funcionamento, é fundamental.

Alguns elementos da metodologia podem ser adotados por profissionais de diferentes níveis e setores no seu dia a dia. Mas, uma abordagem mais sistemática voltada para desafios complexos e resultados deve ser feita por profissionais de Design Thinking, que sejam experientes e especializados. Podem ser feitas seja no desenvolvimento de workshops, projetos mais complexos ou mesmo na implantação de um laboratório de inovação.




segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

AS 12 METODOLOGIAS DE INOVAÇÃO MAIS UTILIZADAS HOJE



Metodologias de inovação, qual o melhor caminho? Qual o melhor Processo de inovação?


Segue um quadro comparativo das 12 metodologias mais utilizadas para inovar na atualidade. Comparamos neste ponto cada um destes métodos, segundo parâmetros e indicadores que nos ajudarão a visualizar as suas vantagens e desvantagens.


Conhecer um amplo leque de métodos de inovação, assim como quais são suas principais características, sabendo quando utilizar um ou outro de acordo ao problema ou desafio enfrentado, condições da equipa e projeto, resulta uma competência essencial hoje, sobre tudo para quem coordena equipas, startups, empresas tecnológicas ou com forte presença na web, agencias de marketing, comunicação e relações públicas. 

Mesmo sendo este um ponto essencial, existe pouca ou quase nenhuma pesquisa comparada que permita ter um guia ou mapa mínimo a esse respeito. Razão pela qual, as pessoas e equipas utilizam apenas sempre uma ou duas metodologias no máximo. Utilizam as metodologias que conhecem, ou que por intuição pensam que pode dar certo. Também às vezes utilizam a metodologia que solucionou o problema em outro lugar, mas sem perceber que se tratava de outro contexto.

No Quadro No. 1. existe uma comparação de 12 métodos, dos mais citados na literatura atual e os mais utilizados segundo pesquisas empíricas e experiência de consultoria e formação de empresas. Nele constam parâmetros e indicadores que nos ajudarão a visualizar as vantagens e desvantagens de cada uma dessas metodologias de acordo com a finalidade e o público alvo da equipa de trabalho.



Como se pode ver no Quadro No. 1- Comparação das 12 Metodologias da Criatividade e Inovação corporativa mais utilizadas de hoje, analisaram-se vários parâmetros ou indicadores para comparar em paralelo as diferentes metodologias criativas e de Inovação apresentadas. 

O Foco Individual versus o Grupal refere-se ao aspeto de a metodologia enfatizar mais, durante o seu desenvolvimento, o trabalho no indivíduo ou no grupo. 

O indicador Foco na Lógica versus Imaginação é direcionado para analisar se a metodologia, durante a sua implementação, liberta mais os recursos relacionados ao pensamento lógico ou convergente, trabalhando de uma maneira mais direta no problema a ser analisado, ou se contribui para estimular mais os recursos imaginativos do pensamento lateral ou metafórico, que é uma forma mais indireta para trabalhar no problema.

O fator Foco em Recursos do Inconsciente versus o Consciente trata de mapear se a ferramenta analisada contribui para desenvolver mais nos participantes os recursos psíquicos conscientes (trabalhar com objetivos lógicos e metas claras, conscientes) ou os inconscientes (acordar a imaginação, os sonhos etc.), também mais indiretos. 

O item Foco Quantitativo versus Qualitativo refere-se a se o instrumento analisado dá mais atenção a produzir o maior número de ideias possíveis (foco quantitativo) ou, pelo contrário, interessa-se mais em elaborar poucas ideias, mas de alta qualidade (foco qualitativo). 

O parâmetro Grau de Complexidade tem a ver com ser de fácil ou difícil aplicação a metodologia; se tem muitas etapas e se é necessário ser um conhecedor do trabalho em equipa a fim de aplicá-la com sucesso. 

O item Uso Público Específico versus Geral refere-se, de igual maneira do que no caso das metodologias e técnicas de Criatividade individuais, a se os melhores resultados, ao aplicar o instrumento em questão, são obtidos utilizando-o com qualquer público ou se é recomendável usá-lo somente com públicos específicos, como podem ser os conhecedores do assunto ou aqueles afetados pelas decisões que se tomem.

Como pode ser observado no quadro mostrado anteriormente, predominam as metodologias que estimulam a criatividade ativando o pensamento lógico e os recursos psicológicos conscientes, e que procuram poucas soluções, mas com qualidade.

Também, observa-se que a maioria das metodologias criativas estudadas têm uma complexidade de alta (de 8 a 10 pontos segundo o critério dos juízes ou experts consultados) e só uma foi considerada com relativamente baixa complexidade e três foram consideradas como sendo de complexidade intermediária. Isto leva à conclusão de que é necessário passar por cursos e treinamentos práticos antes de aplicar a maioria destas metodologias e não apenas pela leitura de textos sobre as mesmas.

Essa complexidade é causada pela própria natureza do processo criativo e de Inovação, e pela diversidade das forças grupais, corporativas e do mercado; assim como pelo desafio que implica criar coisas novas, a exigência por resultados da organização e pela complexidade implícitas nas próprias metodologia (que envolve conhecimentos do conteúdo a ser analisado e da metodologia específica utilizada, as suas etapas, estratégia geral da empresa, projeto ou startup etc.). 

A pessoa que aplica estas metodologias deve ser um coordenador-facilitador com experiência.

Apesar disso, as novas metodologias foram elaboradas, de forma geral, para serem utilizadas de maneira interdisciplinar por um público amplo e heterogêneo, à exceção das metodologias Lean Startup e Growth Hacking,que requerem por parte dos integrantes da equipe conhecimentos especializados de informática.

Na realidade é difícil avaliar as vantagens e as desvantagens de cada metodologia. Isso dependerá muito do problema, oportunidade e desafio a ser analisado; do tempo de formação do projeto, startup ou equipa criativa; do contexto organizacional e do mercado no qual está inserida (organização criativa ou não); dos objetivos que se querem atingir e metas (solução de um problema da organização, superar a concorrência ou contribuir para forjar uma nova empresa), dentre outros fatores. Algo que distingue estas metodologias dos métodos e técnicas individuais e grupais mostrados anteriormente é que eles têm uma perspectiva maior, mais estratégica e organizacional, assim como um caráter mais interdisciplinar, a partir da sua concepção e elaboração. A maioria desses procedimentos foi elaborada de forma declarada para aperfeiçoar as organizações. Muitas destas metodologias também incluem durante a sua implementação outros dos métodos antes explicados separadamente. Assim por exemplo, o Design Thinking, inclui durante sua implementação momentos de Brainstorming, CRE-IN, técnicas de dinâmica de grupo, entre outras.

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