Estratégia é fazer escolhas entre várias opções viáveis para ter a melhor chance de “vencer”; a inovação é apenas um dos meios para alcançar os seus objetivos estratégicos.
No mercado atual, sem uma boa gestão da inovação, é realmente muito difícil obter sucesso a longo prazo e orientar os negócios com rapidez, a fim de garantir vantagem competitiva.
Agora, como desenvolver uma estratégia de inovação? E como fazer gestão da inovação de maneira estratégica?
Entenda o papel do gestor de inovação e tenha dicas dos primeiros passos a serem dados na direção de uma estratégia inovadora no seu negócio!
A importância da estratégia de inovação
Apesar dos investimentos maciços de tempo e dinheiro, a inovação continua sendo uma busca frustrante em muitas empresas. As iniciativas de inovação frequentemente falham, e os inovadores bem-sucedidos têm dificuldade em sustentar seu desempenho.
Uma estratégia nada mais é do que um compromisso com um conjunto de políticas ou comportamentos coerentes e que se reforçam mutuamente, visando atingir um objetivo competitivo específico. Boas estratégias promovem o alinhamento entre diversos grupos dentro de uma organização, esclarecem objetivos e prioridades e ajudam a concentrar esforços ao seu redor.
As empresas definem regularmente a sua estratégia geral de negócios (o seu âmbito e posicionamento) e especificam como várias funções — como marketing, operações, finanças e P&D — a apoiarão.
Sem uma estratégia, os esforços de melhoria da inovação podem facilmente se tornar um saco de boas práticas muito elogiadas: dividir a P&D em equipas autônomas descentralizadas, gerando empreendimentos empresariais internos, estabelecendo armas de capital de risco corporativas, buscando alianças externas, adotando a inovação aberta e o crowdsourcing, colaborando com os clientes e implementando prototipagem rápida, para citar apenas alguns.
Não há nada errado com nenhuma dessas práticas em si. O problema é que a capacidade de inovação de uma organização decorre de uma boa gestão da inovação, ou seja de uma gestão sistematizada — um conjunto coerente de processos e estruturas interdependentes que determina como a empresa procura novos problemas e soluções, sintetiza ideias em um conceito de negócios e seleciona quais projetos serão financiados.
Como desenvolver uma estratégia de inovação
Também é importante ter em mente que não existe um tipo de gestão da inovação que se adapte igualmente a todas as empresas ou que funcione sob todas as circunstâncias.
É claro que não há nada de errado em aprender com os outros, mas é um erro acreditar que o que funciona para, digamos, a Apple (inovadora favorita atualmente) funcionará para a sua organização.
Em linhas gerais, no entanto, as empresas consideradas mais inovadoras geralmente têm algumas coisas em comum:
- capacitam as pessoas e as mantêm responsáveis pelo seu trabalho e as suas decisões;
- recrutam e mantém pessoas talentosas e motivadas em todos os níveis da organização;
- têm ferramentas e estruturas para garantir que as coisas aconteçam e avancem;
- têm uma visão clara e uma estratégia que todos entendem;
- concentram-se na implementação de ideias, em vez de apenas falar sobre elas.
O processo de desenvolvimento de uma estratégia de inovação deve começar com uma clara compreensão e articulação de objetivos específicos relacionados a ajudar a empresa a alcançar uma vantagem competitiva sustentável.
Isso requer ir além de generalidades muito comuns, como “precisamos inovar para crescer”, “inovamos para criar valor” ou “precisamos inovar para ficar à frente dos concorrentes”. Essas não são estratégias. Elas não dão noção dos tipos de inovação que podem importar (e dos que não importam).
Em vez disso, uma estratégia robusta de inovação deve responder às seguintes perguntas:
- Como a inovação criará valor para os clientes em potencial?
- Como a empresa vai capturar uma parte do valor que suas as inovações geram?
- Que tipos de inovações permitirão à empresa criar e capturar valor e quais os recursos cada tipo deve receber?
A escolha do tipo de inovação, aliás, é um passo bastante primordial. Não esqueça que ela pode ser:
- de desempenho: novas ideias para um mercado conhecido e aprimoramento de ofertas existentes.
- incremental: desenvolvimento adicional e/ou otimização de produtos, serviços ou modelos existentes;
- radical: ideias completamente novas implementadas em produtos, serviços ou modelos de negócios;
- sustentável: defesa da posição da empresa no mercado para que ela permaneça competitiva;
- disruptiva: inovação que molda um novo mercado e perturba os mercados estabelecidos.
O papel do gestor de inovação
Agora vamos falar sobre um profissional indispensável no esforço de gestão da inovação: o gestor de inovação!
Embora as organizações não usem frequentemente “gestor de inovação” como um cargo, elas geralmente criam posições específicas para supervisionar equipas de inovação. Os indivíduos nessas posições detém títulos como diretor de inovação, vice-presidente de inovação e gerente de inovação de produtos.
As empresas também esperam que os indivíduos em toda a hierarquia gerencial e executiva demonstrem características e habilidades de um gerente de inovação para ajudá-las a crescer e a ter sucesso.
Cresce a busca por gestores de inovação à medida que o campo de pesquisa em inovação se expandiu nas últimas duas a três décadas. A pesquisa mostra que a inovação — assim como seu gerenciamento — é uma disciplina que requer habilidades e protocolos específicos, que podem ser ensinados.
Os gerentes de inovação têm a tarefa de criar a estratégia e a cultura necessárias para que os funcionários experimentem os recursos certos para apoiar essa experimentação. Eles são especializados em:
- gestão de projetos;
- pensamento estratégico;
- liderança.
Também são capazes de promover a criatividade individual e coletiva e de criar processos e procedimentos para ideação, prototipagem e produção.
Os gestores de inovação também são capazes de equilibrar riscos com as possíveis recompensas do trabalho de suas equipas, com base na tolerância organizacional ao erro e objetivos organizacionais, além de outros fatores.
Por fim, os líderes de inovação tendem a ser criativos e visionários, com a capacidade de ver oportunidades e perspicácia nos negócios para orientar ideias desde o estágio visionário até à implementação; e têm base metodológica e conhecem as ferramentas que os ajudam a mensurar resultados de inovação.
Traga a gestão da inovação para a sua empresa
Agora que já entendeu o que é uma estratégia de inovação e seu papel como líder da gestão da inovação, confira um checklist do que deve fazer para ter uma gestão da inovação consistente e que traga resultados rápidos e expressivos:
- consiga o apoio do corpo diretivo da empresa;
- trace objetivos claros de inovação;
- escolha o tipo de inovação pelo qual quer começar — de desempenho, incremental, radical, sustentável, disruptiva;
- reúna uma equipa multidisciplinar, envolvendo diversos departamentos e monte um comitê de inovação; se necessário, contrate profissionais especializados;
- monte uma estrutura, que você pode chamar de laboratório ou centro de inovação — com as ferramentas necessárias para a experimentação, a prototipagem etc.
- oriente estrategicamente as atividades de inovação, delimitando papéis e responsabilidades;
- trabalhe para facilitar a geração de ideias e as coletar adequadamente;
- abra-se para obter colaboração externa — pesquise mais sobre o conceito de inovação aberta;
- desenhe processos de inovação que sejam claramente entendido por todos e sejam viáveis de realização;
- defina métricas de desempenho e acompanhe os resultados obtidos — ou o que não foi alcançado;
- trabalhe na melhoria contínua do processo, refazendo a rota sempre que necessário.
Para finalizar, é muito importante buscar ajuda especializada para iniciar sua estratégia de inovação.

