segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

INOVAÇÃO INCREMENTAL VS INOVAÇÃO RADICAL: QUAL A DIFERENÇA?

Capa do artigo sobre as diferenças entre inovação incremental e radical

Inovação incremental e radical são termos cada vez mais populares na atualidade, mas o que muitos não sabem é que esses não são conceitos novos.   

Ambos os conceitos já foram citados em 1939, pelo austríaco Joseph Schumpeter, no seu livro “Bussiness Cycles”. De acordo com Schumpeter, a inovação incremental é um progresso em cima de algo que já existe, sendo este conceito o oposto à inovação radical. 

Ainda hoje, é comum que alguns profissionais encontrem algumas dificuldades na hora de diferenciar estes dois tipos de inovação. Por isso existe neste artigo as diferenças entre os dois tipos de inovação — incremental e radical — e como cada uma vai gerar valor para o seu negócio.  


AFINAL, O QUE É INOVAÇÃO? 


A inovação é compreendida como uma ideia implementada que gera valor para o seu negócio — ou seja, que esteja alinhada à sua estratégia organizacional. Mas, para essa ideia ser de facto inovadora, não basta ser apenas uma novidade, deve haver uma aplicação. 

Entretanto, por ser um conceito amplo, o entendimento sobre a inovação varia de acordo com os diferentes autores e contextos. Ou seja, não existe certo ou errado. Desta forma, quando falamos em inovação corporativa, é imprescindível que a organização construa a sua própria conceção a respeito da estratégia. 

Afinal, quando for necessário fomentar o mindset inovador do negócio, é preciso certificar que o conceito de inovação para a equipa esteja alinhado aos interesses da própria organização. Portanto: 

  • O que é inovação para o meu negócio? 
  • Será que o minha equipa sabe o que é inovação para minha organização? 

Desta forma, é preciso que a sua organização possua uma estrutura organizacional propicia para a inovação. Afinal, inovar não será possível em um ambiente que não colabore para isso.

Uma ótima forma para alcançar esse objetivo é fomentando uma Cultura de Inovação entre os colaboradores. Assim, toda a sua equipa estará orientada a gerar ideias e sugestões de melhoria que estejam alinhadas ao objetivo da organização e que possuam uma aplicação específica. De nada adiantaria gerar ideias se elas não pudessem ser aplicadas. 

E por falar em aplicação, para se entender como a inovação incremental e radical são aplicadas no dia a dia das organizações, é preciso, antes, compreender a diferença entre elas. 


INOVAÇÃO INCREMENTAL VS INOVAÇÃO RADICAL 

diferença entre inovação incremental e radical

Inovação incremental 

A inovação incremental pode ser compreendida como um conjunto de ações que buscam melhorar ou agregar valor aos processos e produtos já existentes. Normalmente, acontecem em uma área pontual da organização, como deixar uma linha de produção mais rápida ou adicionar um novo recurso a um produto.  

Atualmente, a inovação incremental tem ganho força em estratégias inovadoras, como o Programa de Ideais, que consiste em explorar o alto potencial empreendedor dos colaboradores para gerar ideias e sugestão de melhorias. 


Inovação radical 

Já a inovação radical está relacionada ao desenvolvimento de novos conhecimentos e à comercialização de produtos totalmente novos. Quando uma organização cria, pela primeira vez, um produto ou serviço, estamos a falar de uma inovação radical. 


QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE INOVAÇÃO INCREMENTAL E RADICAL? 


Inovação radical: 


  • Tenho pouco conhecimento sobre o meu negócio (novo produto ou serviço); 
  • Alto grau de investimento financeiro; 
  • As necessidades dos clientes são difusas. É preciso criar um mercado; 
  • Alto grau de incerteza sobre o retorno financeiro; 
  • Grande salto em inovação. 

 Inovação incremental: 


  • Tenho muito conhecimento sobre o meu negócio (é o meu core business); 
  • Baixo grau de investimento financeiro; 
  • As necessidades dos clientes são conhecidas. 
  • Risco reduzido sobre o retorno financeiro; 
  • Inovações contínuas e graduais. 

Mas e a inovação disruptiva?  


Quando falamos em inovação disruptiva, estamos a referir nos à rutura dos paradigmas tradicionais de um mercado específico e à criação de um novo hábito de consumo, gerando mudanças profundas no mercado. Nesse caso, a inovação radical pode ou não se tornar disruptiva. 



Para ilustrar as informações citadas acima, aqui vai um exemplo sobre inovação radical e incremental: 


Em 1888 a Kodak lançou o primeiro rolo de filme comercial e a primeira câmara fotográfica, que foram sucesso absoluto. Com o slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”, ela tornou um processo cheio de complicações e demorado em algo simples e acessível para praticamente qualquer pessoa. 

Apesar de revolucionária, essa ideia nasceu como uma aposta — ou seja, uma inovação radical. Isso porque ela apresentava alto grau de incerteza, uma vez que não existia um market-share para esse mercado e não havia uma certeza de que as pessoas iriam aderir a esse novo produto. 

A partir daí, a história da Kodak foi marcada por inovações incrementais, para se manter competitiva no mercado, e produtos de sucesso. Como resultado, dominou o mundo da fotografia por quase um século! 

Entretanto, A Kodak, mesmo sendo pioneira na criação da câmara digital, percebeu que essa nova tecnologia ameaçava sua principal fonte de receita — o papel fotográfico e câmara analógica.  

A empresa, apegada ao pensamento do século XX, acreditava que a tecnologia de fotos digitais levaria décadas para se tornar acessível e, por isso, a Kodak continuou focada no seu mercado tradicional. 

Porém, o grande erro da Kodak foi não perceber que a foto digital não seria apenas mais um novo produto, mas sim uma mudança profunda no mercado. Além disso, o desenvolvimento dessa tecnologia era um caminho sem volta e não demorou para outras empresas focarem no aprimoramento da fotografia digital. Como resultado, esse modelo de negócio cresceu e transformou o mercado tradicional, criando um novo hábito de consumo na população — inovação disruptiva. 

O que muitos não esperavam é que essa empresa tão inovadora, anos mais tarde, decretaria falência, justamente, por falta de inovação. Mais especificamente, por não manter o portfólio de inovações equilibrado. 

Mas uma coisa é certa, a Kodak deixou uma grande lição no mundo corporativo: manter o equilíbrio entre inovações de curto e longo prazo pode ser a chave entre o sucesso e o fracasso de uma organização. 


CONCLUSÃO 

Em resumo, podemos afirmar que as inovações radicais geram mais impacto, mas por outro lado, implicam maiores riscos e são mais difíceis de gerir. Já as inovações incrementais estão ligadas as melhorias graduais nos produtos e processos já existentes, por isso, apresentam menos risco e são mais fáceis de gerenciar. Além disso, empresas que investem em inovações incrementais garantem a manutenção da sua receita recorrente, possibilitando o desenvolvimento e investimento em futuras inovações radicais. 

Por isso, é necessário ter em mente que, para as organizações se manterem fortes e competitivas no mercado, é preciso criar um portfólio de inovação bem estruturado, balanceando as inovações incrementais e radicais.  

O equilíbrio entre esses dois tipos de inovação é conhecido como Ambidestria Organizacional.

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